Uso de aparelho auditivo previne demência em idosos?

Uso de aparelho auditivo previne demência em idosos?

Já foi comprovado, a perda de audição é um dos fatores de risco para o declínio cognitivo de idosos. Ou seja, a perda auditiva quando não tratada pode favorecer o desenvolvimento de demência por indivíduos da chamada terceira idade.

Em 2017 a Sociedade Americana de Geriatria e do Instituto Nacional de Envelhecimento, discutiram o fato do risco de deficiência na audição, visão e outros sentidos aumentar com a idade e consequentemente afetar a cognição do idoso.

A perda auditiva periférica nessa população está associada a um declínio cognitivo 30% a 40% mais rápido do que naqueles sem perda auditiva.

Estudos atuais demonstram que aqueles que se recusam a usar aparelho auditivo têm mais chances de desenvolver depressão decorrente de isolamento social, uma das principais causas da demência em idosos. Entre os motivos pelos quais as pessoas se negam a usar o aparelho auditivo estão o preconceito, a vergonha da deficiência auditiva, a falta de informação e o custo.

A reabilitação auditiva pode consistir em intervenções farmacológicas, cirurgias ou adaptação de aparelhos auditivos, sendo este último o mais comum.

 

Em março de 2018 a Organização Mundial da Saúde declarou que há em torno de 466 milhões de indivíduos no mundo com perda auditiva, sendo que desses 432 milhões são adultos.

Condições genéticas, complicações no nascimento, doenças, comportamento de risco e o envelhecimento estão entre as principais causas. A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) alerta que até 35% das perdas de audição ocorrem por causa da exposição aos sons intensos ao longo da vida, como o uso de fones de ouvido, ruídos no ambiente de trabalho, barulho das grandes cidades etc. Associada a isso, a perda auditiva na terceira idade é um processo natural do envelhecimento. A surdez na velhice faz parte do progresso degenerativo do corpo e é um dos problemas mais comuns desta fase da vida. A partir dos 50 ou 60 anos, a maioria das pessoas passa a ouvir com mais dificuldade, por conta da morte de algumas células auditivas.

O problema está na ausência de tratamento adequado em muitos casos. Isto porque mesmo depois de detectá-la, as pessoas demoram em média seis anos para iniciar o tratamento com o uso do aparelho auditivo. Um dado ainda mais alarmante é que cerca de 65% dos idosos acima dos 70 anos nunca usaram aparelho auditivo mesmo tendo a indicação médica.

O paciente com perda auditiva, sem uso de aparelhos auditivos, faz mais esforço para ouvir e compreender, que interfere na cognição normal.

O uso de aparelho auditivo pode ajudar o paciente a retomar o controle sobre a própria vida, com mais independência e saúde emocional, evitando consequências irreversíveis como a perda cognitiva e, consequentemente, a demência.

Além de tratar o comprometimento cognitivo diretamente, tratar a perda de audição e visão em idosos é importante para garantir o envelhecimento saudável e participação ativa continuada e engajamento por adultos com deficiência sensorial e cognitiva.

Por Andrea Soares – Fonoaudióloga CRFa – 2 -11424